Slow Design em Design de Produto

Slow Design  é um ramo do movimento “Slow Movement”, que começou com o conceito de “Slow Food”., um termo contrastante de “Fast Food”. O movimento do slow design acompanha a filosofia da qual foi pioneiro o Slow Food, originário na Itália – contraposto ao estilo Fast de vida preconizado pela sociedade norte-americana nesta nossa era pós-industrial. Tal como acontece com todos os ramos do Slow Movement, o objetivo principal do Slow Design é o de promover o bem-estar dos indivíduos, da sociedade e do meio ambiente natural. O Slow Design possui uma abordagem holística para a concepção que tem em consideração uma ampla gama de fatores materiais e sociais, bem como os impactos de curto e longo prazo do projeto.

Sustentabilidade, por sinal, é de fato um dos pilares do Slow design. O objetivo é mesmo reduzir o impacto ambiental no processo de manufatura, tanto no que diz respeito aos materiais utilizados como na otimização do uso de mão de obra e das atividades de logística.

 Slow design é caracterizado por 6 princípios:

1 Revelar : O Slow Design revela espaços e experiências na vida quotidiana que muitas vezes são tidos emconsideração, incluindo os materiais e processos que podem ser facilmente esquecido na existência ou a criação de um artefacto.

2 Expandir : O Slow Design considera as reais e potenciais “expressões” de artefatos e ambientes além de sua funcionalidade , os seus atributos físicos e durabilidade.

3 Refletir : Artefatos e ambientes do Slow Design  induzem uma maior contemplação e consumo reflexivo .

4 Empreender : processos de Slow Design são “open source” e colaborativos , contando com a partilha, cooperação e transparência das informações para que projetos possam continuar a evoluir no futuro.

5 Participar: O Sow Design incentiva as pessoas a tornarem-se participantes ativos no processo de design, abraçando as idéias de convívio e troca de promover a responsabilidade social e melhorar a comunidade.

6 Evoluir: O Slow Design reconhece que experiências mais ricas podem surgir a partir da maturação dinâmica de artefatos e ambientes ao longo do tempo . Olhando para além das necessidades e circunstâncias de hoje, os processos de Slow Design o e os resultados tornam-se agentes de preservação e transformação.

Um caso evidente na área de design de Produto, é a colecção de projectos de Zanini De Zanine.A abordagem de design de Zanini De Zanine , um dos mais promissores talentos de hoje de design brasileiros , é caracterizada por uma atitude para com os materiais acompanhada por uma condição obrigatória : a reciclagem . Isso reflecte-se na utilização de madeira reciclada , uma matéria-prima que foi enraizada na cultura brasileira desde os tempos da colonização Portuguesa , assim como também fazem a  reutilização e reciclagem de outros materiais, como plástico , metal, palha.

Os objetos realizados, são assim, aptos para a vida quotidiana real, onde a modernidade misturada com tradição exala um espírito inventivo. No seu estúdio  de arquitetura com sede no Rio de Janeiro,a sua equipa e ele desenvolvem uma infinidade de projetos de design : de design de interiores,  projetos arquitetónicos ou até mesmo projetos sob encomenda , eles estão firmemente convencidos de que a interação entre as disciplinas é fundamental para se compreender a essência de espaço e estética . Ele acredita que a cultura de um local evolui quando se combina passado com inovação.

A poltrona Borges, de Zanini de Zanine. Cadeiras para sentar ao estilo “largadão” brasileiro.A poltrona Borges, de Zanini de Zanine. Cadeiras para sentar ao estilo “largadão” brasileiro.

 

A mesa Quadro, também do designer Zanini de Zanine, é feita de ipê reaproveitado de demolições.

A mesa Quadro, também do designer Zanini de Zanine, é feita de ipê reaproveitado de demolições.

 

O banco Prisma, de Zanini de Zanine, foi projetado para longa durabilidade.

O banco Prisma, de Zanini de Zanine, foi projetado para longa durabilidade.

Poltrona Moeda, feitas de desperdícios de correias de chapa metálica, de outras séries não continuadas

Moeda Armchair

 

 

Outro exemplo no design de Produto na área de Slow Design :

Josh Jakus produz uma coleção altamente inovadora de carteiras de mão e bolsas, com o nome da UM sacos, e feita a partir de duas camadas de desperdício de fábricas, lã industrial. As formas arquitetónicas e esculturais da coleção de Josh, têm uma simplicidade elegante que  é enfatizada pela cor cinza industrial do material reciclado. Cada uma das bolsas e sacos de Josh possuem  zíperes brilhantemente contrastantes, e que se estendem completamente planos para limpeza a seco, armazenamento ou viagens. Os itens da coleção são desenvolvidos a partir de dois desafios criativos; para fazer uso da densidade, textura, flexibilidade, e a força de lã pressionada , e para transformar uma superfície plana num do volume usando somente a mais simples de operações.

Outro exemplo seria uma empresa italiana chamada mesmo de “Slow Design”.

Esta colecção de potes e jarros feitos de vidro e madeira reciclados, que possuem um carácter muito orgânico e elegante.

Fiasco by Slow Design

Trio, Slow Design

 Caraffa, Slow Design

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Design no âmbito das indústrias criativas

O design no âmbito das indústrias criativas reflecte uma classe, uma economia e empresas criativas. Estas indústrias tratam de criar e distribuir bens e serviços associados ao valor cultural, artístico e de entretenimento. Apresentam uma fusão entre conteúdos criativos, valores económicos e objectivos comerciais, criam também ligações entre secções artesanais, industriais e de serviços. São o ciclo de criação, produção e distribuição de bens e serviços que se baseiam na criatividade e na propriedade intelectual, pois são o centro da economia criativa e formam a classe criativa. O termo Indústrias Culturais surge, então, para expressar a ligação existente entre arte e economia, consequência do desenvolvimento das actividades culturais como importantes fontes de riqueza e trabalho e da necessidade de formulação, desenvolvimento e financiamento por parte das políticas públicas

“A taxa de crescimento média anual das exportações culturais e criativas excedeu os 10% na última década. Daí que as sinergias entre cultura, turismo e indústria estejam entre as recomendações de um documento apresentado esta sexta-feira que foi apadrinhado pelo Ministério da Economia e pela Secretaria de Estado da Cultura” (Vítor Belanciano, hoje no jornal Público).

Penso que, de facto, o futuro das economias europeias, bem como da economia portuguesa, depende decisivamente da respectiva capacidade em colocar a cultura, a criatividade e o conhecimento no centro das atividades económicas. Pois, é de notar que os sectores cultural, criativo e a revolução digital,  são dos mais dinâmicos em Portugal. A economia segue cada vez mais o caminho da diferenciação e da inovação, daí que todas as indústrias e empresas deverão ser criativas e culturalmente activas.

As indústrias criativas possuem vários subsectores, tais como, a arquitectura, o design, os audiovisuais, a música, software educativo, artesanato, a joalharia, artes performativas, edição, TV, rádio e software, antiguidades, design de moda e entretenimento.

Estes subsectores devem agir de uma forma conjunta, influenciando a exportação e dinamismo a nível internacional. A integração de aspectos culturais com aspectos sociais e económicos, juntamente com as tecnologias e a propriedade intelectual e o turismo, esta combinação gera a criação de riquezae e de emprego.

Geração de valores das indústrias criativas

Valor estético: reflecte harmonia, forma e beleza

Valor espiritual: secular ou religioso, a busca de significados para a vida

Valor social: criação de vínculos entre indivíduos, iluminação do carácter da sociedade

Valor histórico: valorizar o passado e dar continuidade ao presente

Valor simbólico: expressão de significados e ligações

Valor de autenticidade: reflecte o único e original

No final da aula foi-nos proposto que elaborássemos um esquema acerca da nossa área, no meu caso design de produto, dentro do âmbito das indústrias criativas, aqui está o  meu.

 

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Bom design

Em 1970, Dieter Rams introduziu a ideia de desenvolvimento sustentável e a obsolescência como um crime do design. Com isto, questionou-se se o seu trabalho seria “bom design” ao que desenvolveu dez princípios que a seu ver, deveriam ser respeitados, para se produzir uma peça com bom design.  Rams, estudou Arquitetura na Escola de Wiesbaden, além de realizar cursos de carpintaria, sendo influenciado especialmente por seu avô. Após ter trabalhado para o arquiteto Otto Apel, entre 1953 e 1955, Rams passou a integrar o setor de produtos eletrônicos da Braun, empresa da qual se tornou diretor de design em 1961, posição que manteve até 1995, quando foi sucedido por Peter Schneider. Durante todo o tempo em que trabalhou com a Braun, Dieter Rams desenhou mais de 500 produtos, elegantes e extremamente versáteis. As unidades foram projetadas em tamanhos modulares, o que possibilitava o empilhamento vertical ou horizontal. Botões, chaves e mostradores foram reduzidas ao mínimo e dispostos em uma forma ordenada.

SK4 record player, de 1956.  Projetado por Dieter Rams e Hans Gugelot, para a  Braun.

SK4 record player, de 1956. Projetado por Dieter Rams e Hans Gugelot, para a Braun.

1. Bom design é inovador
O desenvolvimento tecnológico irá sempre oferecer novas oportunidades para um design inovador, e o design inovador desenvolve-se em conjunto com a tecnologia inovadora, portanto, nunca irá colocar um fim em si mesmo.

2. Bom design faz um produto ser útil
Um produto é comprado para ser usado. Ele tem de satisfazer certos critérios, não só funcionais, mas também psicológicos e estéticos. Bom design enfatiza a utilidade de um produto, ao mesmo tempo que ignora tudo aquilo que vai contra ela.

3. Bom design é estético
Somente objetos bem executados podem ser bonitos. Qualidade estética é fundamental, pois o usuário será afetado diretamente pelo produto que possui.

4. Bom design ajuda-nos a entender um produto
O bom design esclarece a estrutura do produto. Ou melhor ainda, ele pode fazer o produto falar: design deve ser auto-explicativo.

5. Bom design é discreto
Um produto não deve ser nem um objeto decorativo e nem uma obra de arte: o seu design deve ser neutro e contido, deixando espaço para a auto-expressão do usuário.

6. Bom design é honesto
Nunca engane o usuário, o design não deve manipular o consumidor com promessas que não possam ser mantidas.

7. Bom design é durável
O bom design faz o produto durar, transcender o tempo. Ele evita “estar na moda” e, portanto, nunca será antiquado.

8. Bom design preocupa-se com os mínimos detalhes
Cuidado e precisão no processo de design demonstra respeito para com o usuário. Nada deve ser deixado ao acaso.

9. Bom design preocupa-se com o meio ambiente
O design deve conservar os recursos ambientais e minimizar a poluição física e visual, durante todo o ciclo de vida do produto.

10. Bom design é menos design
“Weniger, aber besser”
Menos, mas melhor. Porque concentrando-se nos aspectos essenciais, os produtos não estão sobrecarregados com os não-essenciais.

O trabalho de Rams, tinha como principal objectivo  criar produtos úteis e de fácil operação. No entanto, ele conseguiu muito mais do que isso, devido ao virtuosismo formal e técnico dos seus produtos, e uma simplicidade requintada suportada por rigorosos testes de qualidade e experiências com novos materiais, além de uma atenção obsessiva aos detalhes para garantir que cada peça ficasse perfeitamente coerente no produto.

Foi-nos proposto que elaborássemos os nossos próprios princípios de bom design. A meu ver uma peça de bom design, deve enriquecer a actualidade e adicionar sempre algo de interessante e de grande utilidade.

1. Bom design deve despoletar emoção

Penso que o bom design deve comunicar com o utilizador, criando uma ligação emocional entre ele e o produto. Quando nos envolvemos emocionalmente com um produto, este adquire uma maior importância nas nossas vidas diárias, tornando a sua utilização, consequentemente mais útil e crucial.

2. Bom design deve ser útil e confortável

A meu ver, um bom produto deve sempre considerar os aspectos ergonómicos e ser o mais prático possível. O bom design é o que possui um carácter mais intuitivo e de fácil usabilidade, deve possuir uma fácil leitura e compreensão. Além disso, deve ser um produto que seja confortável, que não proporcione uma utilização exaustiva e difícil.

3. O bom design dever resolver um problema e ser inovador

Um bom produto deve conseguir solucionar um problema existente, com métodos eficientes. Deve também ser inovador, em termos de materiais, utilização, tecnologia; devem trazer novidade e algo que ainda não foi feito.

4. O bom design deve ser simples

Concordo com Dieter Rams no facto, de que o design deve ser, realmente simples. O bom design destaca-se pela exploração das formas simples , com o mínimo de informação adicional. Só deve possuir o necessário, sem recorrer a adornação extrema. As peças bem conseguidas e interessantes, são as mais sóbrias de informação.

5. O bom design deve ser coerente 

Uma peça de bom design, deve ser lógica e considerar os métodos mais eficazes de produção, evitando os mais dispendiosos. O bom design deve ser pensado de uma forma lógica e sensata, tentando dentro do possível, produzir peças de boa qualidade, com os materiais e processos mais adequados ao propósito, e menos dispendiosos, tentando também, que o máximo de pessoas o possam adquirir.

Caso exemplo : Cadeira Paimio de Alvar Aalto, produzida pela Artek, 1930-1931

Considerando os meus princípios de bom design, penso que a cadeira Paimio de Alvar Aalto se enquadra nesses requisitos.

Alvar Aalto foi um dos primeiros e mais influentes arquitetos do movimento moderno escandinavo, tendo sido membro do Congrès Internationaux d’Architecture Moderne (CIAM). Alguns dos trabalhos de maior relevância foram, por exemplo, o Auditório Finlândia, e o campus da Universidade de Tecnologia de Helsinki, ambos em Helsinki, Finlândia. No campo do design, tornaram-se célebres os projetos de cadeiras baseados na exploração das possibilidades de corte e tratamento industrial da madeira.

Virando-se definitivamente para o laminado de madeira e contraplacado como materiais de eleição, Aalto começou a investigar a colagem de placas de madeira e os limites da moldagem do contraplacado com Otto Korkhonen, director técnico de uma fábrica de mobiliário perto de Turku. Estas experiências culminaram nas cadeiras tecnicamente mais inovadoras de Aalto. Nomeadamente a No. 41, que foi desenhada para fazer parte do esquema do Sanatório Paimio, esta cadeira faz parte de uma mudança de materiais na direcção do contraplacado. Aalto acreditava que a sua maior contribuição para o design de mobiliário era a solução do velho problema da ligação dos elementos verticais e horizontais. A solução da madeira dobrada, permitiu que as pernas se ligassem directamente ao assento sem necessidade de qualquer outro tipo de estrutura ou suporte adicional. Esta peça de Aalto, reflecte os seus ideias de que as peças de design deveriam ser humanizadas e emocionantes.

Através dos princípios que desenvolvi sobre bom design, considero a cadeira de Aalto, uma peça de bom design. É um produto  emocional que deixa o utilizador satisfeito com a sua utilização a um nível mais profundo, através das suas formas curvas e orgânicas que nos cativam as sensações. É uma peça útil e acessível, foi destinada a um sanatório e foi bem pensada a nível de utilização, limpeza e deslocação. Esta cadeira é inovadora, nomeadamente pela técnica de conformação da madeira dobrada, que nunca teria sido feito até então. Possui um design simples, e sem acréscimo de detalhes desnecessários, a sua forma é pura e orgânica. E por fim, é uma peça coerente, pois toda a sua produção e idealização foi bem pensada; a nível de materiais de boa qualidade, naturais como a madeira, e utiliza processos apenas necessários e menos dispendiosos possível.

Design Inclusivo

Foi-nos proposto investigarmos um conceito na área do design e comentá-lo, eu decidi falar sobre o Design inclusivo, que apesar de ser um conceito relativamente recente,  tem sido alvo de grande investigação.

Design inclusivo pode ser designado também como design universal. Tem como finalidade de produzir produtos, ambientes ou serviços usáveis por todos; independentemente da idade, aptidão, ou capacidade física, algum tipo de deficiência ou dificuldade. O design inclusivo pretende desenvolver um produto que seja utilizado pela maior quantidade de pessoas. Essencialmente o campo de estudo do design inclusivo assenta na usabilidade, na ergonomia e na acessibilidade. Enquanto a idade média da população sobe, as expectativas de vida melhoram também e ninguém gosta de ser chamado de velho, ou incapacitado. Os designers continuam a projectar apenas para o homem padrão, jovem e saudável. A ergonomia costuma ser deixada de lado e os poucos projetos que vemos para pessoas com limitações físicas costumam não ser muito simpáticos esteticamente, o que acaba por afectar negativamente a relação emocional entre o utilizador e o produto.

No Country for Old Men

É uma colecção desenvolvida pelo studio Lanzavecchia + Waicomo, como um auxílio no dia-a-dia dos idosos. As peças denonimadas Together Canes, os três apoios móveis que ajudam o usuário a locomover-se dentro de casa podendo transportar consigo diferentes tipos de ocbjetos, numa combinação de mesa e bengala, são consideradas as de principal interesse. É uma grande ajuda, já que o apoio que se faz num andarilho tradicional e carregar algum objecto de um sítio para o outro, torna-se uma grande dificuldade.

Assunta Chair, por sua vez, pretende facilitar o simples acto de se levantar de um assento com mais facilidade. O objectivo é utilizar o próprio peso da pessoa como alavanca na barra de apoio, um simples componente que cria mais estabilidade e dá um empurrão súbtil para se levantar.

Outro exemplo de design inclusivo, são as embalagens de temperos destinadas para pessoas invisuais, desenhadas pela designer Andrea Zeman. A incapacidade visual, ainda não é muito considerada no desenvolvimento de embalagens, com a excepção dos medicamentos. Andrea Zeman, conseguiu através de efeitos táteis, como formas e texturas, uma diferenciação do produto para os deficientes visuais, além do texto em braile.

Universal toilet, é um projecto de design de uma sanita flexível, desenhada por  Kim Chanduk e Hong Youngki. Pode ser utilizada tanto pela população normal como por pessoas com deficiência, o que quebra com o estigma social de instalações deficientes. Para pessoas com deficiência, até mesmo uma sanita dedicada para deficientes, exige esforço manual, principalmente se necessita de cadeira de rodas. Com a universal toilet, os utilizadores não se precisam de virar ou torcer, mas podem simplesmente deslizar para frente, directamente da cadeira de rodas para a sanita. Possui até uma placa de peito, para se constar obtendo mais conforto e estabilidade. Para usuários sem deficiência, a placa de peito serve de encosto. “Universal toilet”, é também bastante eficiente em termos de espaço, já que ocupa apenas um quarto do espaço em relação às instalações sanitárias existentes.

 

Escolas dinâmicas

No artigo  da professora Katja Tschimmel sobre classificações de design, percebo a importância de novas dinâmicas no ensino do design.

O sistema actual das escolas é, de facto, obsoleto e os alunos anseiam por outros métodos, que não os aborreçam. Os alunos precisam de novos métodos de aprenderem e que puxem por eles, pela criatividade e engenho. A professora rapidamente se foca na abordagem da interacção emocional, já que toda a sua carreira profissional estava ligada às ligações humanas e a impulsão da descoberta e conhecimento, através da comunicação interaccional.

A escola deve ser uma troca de informação, deve ser uma diversidade de relações. Neste sentido penso que as escolas artísticas optam por uma abordagem diferente, impulsionam o aprender a fazer,  e para isso dependem da interacção multidisciplinar, de uma ligação entre todos. A internet reflecte perfeitamente esse conceito de ligação.

A tecnologia está a modificar a forma como se estuda. O acesso à internet na sala e aulas gravadas que podem ser visualizadas em casa, fazem parte de um mundo novo. Pensar numa escola inovadora, já não é apenas a existência de salas equipadas  com muitos computadores . Em vários locais, onde isso já existe, como por exemplo, no Perú, os resultados dos alunos não se revelaram melhores. Apesar de ser uma grande vantagem, a tecnologia e internet não baste para melhorar o desempenho do ensino. Penso que o próprio design das escolas, começa a ser adaptado aos novos tempos.

Na escola Orestad college, em Copenhaga, Dinamarca, num edifício de cinco andares, há apenas algumas salas tradicionais, porque a maioria das actividades acontecem em espaços de convívio, onde os alunos resolvem, em conjuntos, as questões propostas pelos professores. Os alunos não usam cadernos, nem livros, porque tudo é digital, e o seu aproveitamento é superior à média nacional.

Comunicação, interacção e sinergia são a base para a concepção do design desta faculdade, tendo como visão criar flexibilidade e uma maior liberdade para a aprendizagem do aluno e o ensino do professor. É uma perspectiva mais dinâmica que utiliza também tecnologia.

¯restad Gymnasium, K¿benhavn, DK - 3XN

 

Neil Selwyn da Faculdade de Educação da Universidade de Monash prevê que as escolas irão recorrer a uma assimilação virtual nas salas de aula de aprendizagem. Será incorporada uma realidade aumentada e tornar-se-á mais envolvente e perceptível a informação. Os professores serão capazes de recriar um palácio francês do século 16 em 3D , ou fazer uma sala de aula com o aspecto que se pretende, podendo estudar melhor qualquer local, através da sobreposição do ambiente físico com a informação digital . Os professores poderiam levar os alunos para florestas “digitais”, onde podem interagir e obter informações sobre a natureza e os animais, apenas por apontar o seu tablet para os objectos como uma árvore.

A escola MODUPOD, é um conceito projectado para o ano 2025, e representa um ambiente de ensino dinâmico do século XXI. Possui salas de ensino de simulação 3D, que promove a interacção e o pensamento crítico no aluno. O conceito da escola visa recursos de rápida e fácil montagem, interiores inteligentes, e Pods de trabalho flexíveis, que colocam estudantes e professores no coração da aprendizagem. As divisões multi-modulares, localizam-se em torno no centro transparente, onde existem painéis e tecnologias de multimédia e 3D. Os módulos individuais, incluem o trabalho de equipa focado no Studio pod; o project pod visa estimular o aluno a possuir uma maior responsabilidade pela sua própria aprendizagem; o breakout pod transparente que pretende estimular a observação e a criatividade; e o social pode, onde se colabora e reúnem, para uma aprendizagem colectiva. Além disso, o espaço exterior, oferece aos alunos, a oportunidade de aprenderem com a natureza.

Design Global e Glocal

O fenómeno da globalização, da transmissão de informação e a facilidade de comunicação, tiveram um forte impacto no mundo,assim como no Design também. A internet é sem dúvida a maior ferramenta que permitiu essa evolução.Sem inovação na área da tecnologia da informação, a globalização com as suas redes mundiais, não seria imaginável.

“O computador e o container são a espinha dorsal da globalização, a comunicação e os media são o seu sistema nervoso”.

Angeli Sachs

Símbolos do Mundo global, como “Global Village”

O telemóvel é sem dúvida um dos maiores símbolos da globalização, através de chamadas, mensagens, e os mais actuais permitem o acesso à internet, assim como o computador. Cada vez mais vivemos numa época de um imenso dinamismo, só as áreas que têm a ver com biotecnologias, nanotecnologias, com robótica e life sciences, e aí há novas e inúmeras outras áreas de trabalho para os designers. Mais propriamente no sentido de esclarecer, de tornar compreensível, de interpretar as tecnologias.

A mala de viagem em low cost, é outro grande símbolo da globalização, já que cada vez mais pessoas viajam todos os dias. Por ser tão mais fácil e rápido; especialmente através desta vertente de baixo custo, em que as pessoas nem têm que esperar pelas malas serem despachadas, não existem esses inconvenientes em relação ao factor tempo, tornando assim a transmissão de informação e trabalho muito mais facilitada.

Cada vez mais há pessoas a utilizarem a internet, 75% da população mundial, tem conhecimento e acede diariamente à internet.

Aqui está um gráfico que determina os países que mais acedem à internet, ao longo dos anos.

A globalização tem o poder de fazer várias modificações, tais como, hábitos de alimentação, técnicas de produção e valores culturais.  Como exemplo disso temos:

A Nespresso possui uma comunicação excepcional, que tem um impacto enorme em tudo o mundo. O facto de podermos beber um café em qualquer lado, proveniente de outro local, reflecte a sua divulgação e a imponente vertente da globalização.

A empresa Apple, que utiliza um design simples, clean, tem a capacidade se inserir em qualquer cultura.

Um dos melhores exemplos da globalização. A empresa IKEA, existe em todos os cantos do mundo, lojas muito semelhantes, artigos que agradam a todo o tipo de clientes, através do preço acessível e do design simples e ergonómico.

São estes símbolos e imagens de marca reconhecidos em todo o mundo, que facilitam o acesso e aceitação de novas marcas por parte do público mundial. O Design global, baseia-se numa unificação, em estilos neutrais, não tendo identidade histórica ou cultural.

Roland Robertson,é um sociólogo e teórico da globalização , que leciona na Universidade de Aberdeen, na Escócia , Reino Unido . Anteriormente ele era professor de sociologia na Universidade de Pittsburgh . Ele foi o presidente da Associação de Sociologia da Religião , em 1988.

Roland Robertson acredita que o conceito de globalização, seja distinguido do conceito de” glocalização “. Ao usar “glocalização”, em vez de globalização Robertson enfatiza as  fronteiras entre o local e o global. Opiniões antigas em sociologia, viam a globalização como um contraste entre o local e o global. Robertson vê o próprio local, como um dos aspectos da globalização. Por exemplo, a procura de “casa” e “raízes” são uma contraposição a globalização, mas também uma necessidade estruturada por ele.

. Mesmo que os laços interculturais sejam cada vez mais unidos em todo o mundo, Robertson acredita que nós definitivamente não estamos a caminho de uma cultura humana mais unida. A razão é que na glocalização, essas e influências são selecionadas, processadas ​​e consumidas de acordo com as necessidades da cultura local e estrutura social, de cada zona. 

Em suma, o termo glocalização significa que as tendências de homogeneização e heterogeneização coexistem ao longo da era moderna. De acordo com Robertson o uso do termo glocalização significa que é cultura local que atribui significado a influências globais, e de que os dois são, portanto, interdependentes de que cada um.

Exemplos de glocalização

McDonald’s aposta em sabores lusitanos

A Mac Donalds, uma das marcas mais conhecidas em tudo mundo, e em Portugal possui adaptações da cultura gastronómica portuguesa, através da sande lusitano, muito popular neste país; e ainda a opção de se comer sopa, algo muito incomum nos outros locais, mas em Portugal muito usual, algo que faz parte do dia-a-dia da população portuguesa. A Mac Donalds aplicou aqui um claro exemplo de glocalização, ao adaptar as referências locais aos seus menús pré-definidos e vendidos em todo o mundo .

Outro caso óbvio de glocalização, é o shopping Via Catarina no Porto. Shopping um não lugar, que existe em todo o mundo com as mesmas loja, mesmos serviços e mesmo aspecto visual; porém neste shopping em particular, adoptou a arquitectura Portuense, e aplicou-a na zona da restauração.

Foi-nos proposto investigarmos mais casos de glocalização:

International Coca Cola Cans

A coca-cola, é mais uma das marcas mais conhecidas em todo o mundo, e no entanto fazem várias campanhas identitárias nos diferentes países, em que promovem os valores culturais dos diferentes locais.A lata de Coca-Cola é um dos suportes de comunicação mais eficazes em todo o mundo, chegando a milhões de pessoas.

Inclusivé, fez também em Portugal, a interpretação de três monumentos portugueses classificados pela UNESCO como Património da Humanidade: o Convento de Cristo, em Tomar, o Palácio da Pena, em Sintra, e as Gravuras Rupestres em Foz Côa.

 

Da mesma forma, a MTV Networks transmite em mais de 20 países. Em vez de oferecer a mesma programação em cada um desses países, a rede adapta cada canal para atender os gostos desses países individuais e as características regionais e os músicos internacionais.

 

As lojas não têm o aspecto tradicional da marca Starbucks nos diferentes países, a fim de recapturar a sensação de um café local.

 

A Disney land não era tão bem-sucedida em Hong Kong, assim fez um esforço para atender ao gosto chinês local, reduzindo os preços, adaptando aos costumes chineses locais e práticas de trabalho e também mudou as decorações e as configurações. Glocalização foi aplicado com sucesso para o parque temático em Hong Kong.

 

 

 

 

Utopias em Design

Utopia é algo que se imagina como sendo perfeito, ideal, porém imaginário, não se sabendo ao certo se é possível alcançar ou realizar, é almejado mas apenas utópico.

Utopia em design descreve o desejo social de procurar isso mesmo, é uma perspectiva pessoal ou colectiva que se diferencia do actual, lançando uma proposta para o futuro. Baseia-se num projecto imaginário, uma idealização de uma realidade modelo de novas formas de convivência e de vida.

Para esta aula, lemos a entrevista realizada pela professora Katja  Tschimmel a Bernhard E. Bürdek. Ao longo da entrevista, conseguimos perceber algum desânimo por parte de Bernhard Burdek, já que ele acredita que o Design tem vindo a piorar  por se ter banalizado.  

“Ou seja, naturalmente que o design existe como disciplina séria, mas infelizmente existe em muito maior quantidade aquilo que podemos designar como a tendência lifestyle, o que acaba por ser contraproducente para a disciplina design.”

Concordo com Bernhard, já que o design parece ser levado menos a sério, cada vez mais, os objectos acabam por se tornar trivialidades derivadas desta tendência “lifestyle”, já que o que vende é o que choca as pessoas, as modas que motivam as pessoas a quererem adquirir os artefactos, criando assim uma corrente de design fogaz e efémero. Cada vez é mais difícil acreditar em utopias dentro do design. Essa ideologia viveu-se verdadeiramente no passado, apesar de eu acreditar que ainda seja possível pensar no Design, como uma resposta a problemas actuais.

 Estes conceitos de utopias, foram expressos ao longo da história através de vários movimentos artísticos.

Arts and Crafts foi um movimento estético e social inglês, da segunda metade do século XIX, que defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa. Reunindo teóricos e artistas, o movimento procurava revalorizar o trabalho manual e recuperar a dimensão estética dos objetos produzidos industrialmente para uso quotidiano.

As teorias do crítico de arte John Ruskin e do  Augustus Pugin são fundamentais para a consolidação da base teórica do movimento. Na vasta produção escrita de Ruskin, observa-se uma tentativa de combinar esteticismo e reforma social, relacionando arte à vida diária do povo.

As idéias de Pugin sobre as glórias do passado medieval diante da mediocridade das criações modernas influenciam Ruskin, que, como ele, enfatiza a preferência pelos padrões artesanais e a organização do trabalho das estruturas medievais. Mas é William Morris que põe esse plano em prática, que defende uma arte “feita pelo povo e para o povo”, em que era pretendido que o operário se torna-se um artista e pudesse conferir valor estético ao trabalho desqualificado da indústria. A teoria de Morris defendia o ideal medieval, onde o artesão desenha e executa a obra, num ambiente de produção coletiva. Ele ansiava essa utopia, em que poderia produzir artefactos de qualidade para toda a sociedade, não só para a classe alta. Embora fosse esse o seu objectivo de design utópico, foi impossível concretizar, já que o trabalho artesanal se tornou bastante dispendioso e só as pessoas mais ricas conseguiam adquirir.

O espírito racionalista revolucionário do Construtivismo onde a arte estava ao serviço da construção da sociedade e a arquitetura a imagem símbolo do socialismo que se constrói. Nesta ramo do Racionalismo a teoria da forma é a teoria da comunicação social.

Cadeira de William Morris, 1866

Outra corrente em que os valores utópicos se evidenciam é o Construtivismo Russo. O Construtivismo Russo foi um movimento estético-político iniciado na Rússia a partir de 1919, como parte do contexto dos movimentos de vanguarda no país, de forte influência na arquitetura e na arte ocidental. Ele negava uma “arte pura” e procurava abolir a ideia de que a arte é um elemento especial da criação humana, separada do mundo quotidiano. A arte, inspirada pelas novas conquistas do novo Estado Operário, deveria se inspirar nas novas perspectivas abertas pela máquina e pela industrialização servindo a objetivos sociais e a construção de um mundo socialista.

Desejavam que a arte se tornasse um instrumento de transformação social, que participasse da reconstrução do modo de vida e da “revolucionarização” da consciência do povo, deseja satisfazer as necessidades materiais e organizar e sistematizar os sentimentos do proletariado revolucionário.

Alexander Rodchenko

Um dos movimentos mais marcantes nos valores utópicos, foi sem dúvida, a marca imponente que a escola Bauhaus transmitiu. Foi fundada em 1919 por Walter Gropius em Weimar, na Alemanha. Esta escola unificou disciplinas como arquitetura, escultura, pintura e desenho industrial. Ela revolucionou o design moderno ao procurar formas e linhas simplificadas, definidas pela função do objeto, através de um visual “clean”, uma forte influência nos projetos de hoje em dia, como os da empresa Apple. O principal objectivo desta escola era de certa forma, democratizar o design. Fornecer produtos de qualidade, funcionais para todos; procuravam modos de viver alternativos, mais humanistas, mais democráticos.

“Chaleira”
A “chaleira” ,um símbolo da Escola Bahaus de Marianne Brandt, uma das poucas mulheres que conseguiram produzir na Bauhaus. 
O seu talento, em design de metais, criando cinzeiros, luminárias, jogos de chá e café lhe deu notoriedade e reconhecimento de todos os mestres da Bauhaus.

Noutros campos há também marcas do design utópico, como no Design Radical, um movimento italiano na década de 60, o anti-design, que se opôs ao good design.

O grupo Archi Zoom, constituído pela designer Andrea Branzi, Gilberto Corretti, Paolo Deganello, Massimo Morozzi, em Florença. Tendo muita influência nos trabalhos do grupo Archigram, os seus projectos revelavam a procura de uma nova abordagem altamente flexível e baseada na tecnologia de design urbano, que pretendiam mandar a mensagem de um mundo novo.

O projecto “Non stop city”, é  conceptual , mas muito bem elaborado e pensado, através de plantas, imagens e desenhos. As fotografias retratam um espaço infinito e bastante inexpressivo em que os humanos vivem como campistas.Os espaços são preenchidos com pedras e galhos, pequenos pedaços de natureza trazidos para dentro do mundo artificial.Tendas, eletrodomésticos e motocicletas mostram que as necessidades básicas sejam atendidas, enquanto outros desenhos mostram grades infinitas de quartos, talvez contendo a “Dream Bed” ou a “Safari chair”, objectos também realizados pelo Archizoom.

“A ideia de um inexpressivo, arquitetura catatónico, resultado das formas amplas sobre a lógica do sistema e seus antagonistas de classe, era a única forma de arquitetura moderna de interesse para nós … Uma sociedade livre de sua própria alienação, emancipando as formas retóricas do socialismo humanitário e progressismo retórico: uma arquitectura que teve um olhar destemido na lógica de cinza, ateísta e do dramatizado industrialismo, onde a produção em massa produz decorações urbanas infinitas. ”

Andrea Branzi

A teoria fulcral do Archizoom, é que tentaran mudar o mundo usando o poder do que eles criticaram.

O movimento do descontrutivismo foi uma linha de produção arquitetónica pós-moderna que começou no fim dos anos 80. Ela é caracterizada pela fragmentação, pelo processo de desenho não linear, por um interesse pela manipulação das ideias da superfície das estruturas ou da aparência, pelas formas não-rectilíneas que servem para distorcer e deslocar alguns dos princípios elementares da arquitectura, como a estrutura irregular.

Triadisches Ballett (Triádica Ballet) é um balé desenvolvido por Oskar Schlemmer. Ele estreou em Stuttgart, em 30 de setembro de 1922, com música composta por Paul Hindemith, após as apresentações de formação remonta a 1916, com os artistas Elsa Hotzel e Burger Albert.Inspirado em parte por Pierrot Lunaire de Schoenberg e suas observações e experiências durante a Primeira Guerra Mundial, Oskar Schlemmer começou a conceber o corpo humano como um novo meio artístico. Ele viu balé e pantomima como livre da bagagem histórica do teatro e da ópera e, portanto, capaz de apresentar as suas ideias de geometria coreografada, o homem como dançarina, transformados pelo traje, que se deslocam no espaço. A ideia do ballet foi baseado no princípio da trindade.

Aqui temos o “Pavilhão 21 MINI Opera Space” , um espaço de desempenho móvel temporário para 300 visitantes a serem localizados na Masterstallplatz na cidade de Munique. Construído de Alumínio sob a forma de pirâmides múltiplas, que cobre uma área de 560 metros quadrados e tem uma altitude de 12,5 metros. Concebido para ser facilmente desmontado e montado em outros lugares para diferentes utilizações conforme o necessário.

Possui um avançado sistema de isolamento acústico para que o som vindo do exterior não atrapalhe o interior e vice e versa. Porém esse isolamento acústico forma um grande desafio juntamente com a mobilidade pois uma construção leve e móvel geralmente não tem boa isolação acústica pois exige grande massa física.

Segundo o arquiteto Wolf Prix esse espaço foi criado através da inspiração pelas músicas de Jimmy Hendrix e outra de Mozart.

Este espaço está claramente a desafiar o design existente, ao contrariar a arquitectura clássica típica da região, com estas formas angulosas e irregulares, tem uma visão utópica nesse sentido, de ruptura de tendências.

As utopias são também encaradas através de teorias ecológicas, materiais inteligentes e novos produtos terapêuticos, revela-se uma procura da eterna juventude e bem-estar.

A cidade ecológica de Masdar

Penso que as questões utópicas, mudaram o pensamento da sociedade, principalmente através das vanguardas, caracterizado por ideias radicais contra normas estéticas, sociais ou políticas. Tinham uma orientação em ideias de progresso estético, social e tecnológico. As vanguardas em design ofereciam novas direcções estéticas/ sociais que permaneceram e evoluíram.

As vanguardas mais recentes, reflectem-se no trabalho de Ron Arad, nas suas peças icónicas que utilizam materiais que tradicionalmente não fazem parte dos interiores.

File:Ron Arad - The Big Easy chair in chrome steel.jpg

The Big Easy Chair, cromada

Outro exemplo actual seria a empresa holandesa Droog Design, que cria objectos revolucionários, por terem uma estética desconcertante, irregular, e sobretudo revelarem diversão e paixão na sua composição.

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Chest of Drawers de Tejo Remy

Atado Chair (1996) de Marcel Wanders para Droog

No final da aula foi-nos proposto investigar exercícios de vanguardia no design de hoje.

Encontrei um projecto aplicado na cidade Nova York, idealizado pela comissária do departamento de transporte. Achei um caso inovador, nos aspectos ecológico e inclusivo inseridos no Design, ela repensou Nova York, e idealizou um design melhor e mais eficaz.

Ela fez várias remodelações na cidade, nomeadamente reduzir o número de carros. Ela construiu centenas de quilómetros de ciclovias, introduziu um programa de bicicletas de enorme sucesso, criou praças de pedestres, e transformou Times Square.
O seu grande objectivo era tornar mais fácil e mais seguro, mover-se em Nova York, e para tornar a cidade um lugar melhor e menos poluído para os residentes. Ela construiu também sinais de trânsito e de aviso audíveis, para os cegos.nyc ponto comissário Janette Sadik-Khan

Outro projecto que encontrei que enfatiza a utopia de um mundo melhor e mais ecológico, seria o caso de cinco aspiradores de pó, que  foram revestidos com plástico coletado nos oceanos da Terra já que  a maioria dos resíduos plásticos descartados no mundo vai parar no mar, onde ele é difícil de ser recolhido e reciclado.

Tentando resolver esta questão, várias organizações ambientais que focadas na vida marinha, uniram-se à Eletrolux para reunir os diferentes materiais encontrados nas praias e em alto-mar, em diferentes pontos do planeta e criaram o projeto Vac From the Sea.
O resultado foram 5 aspiradores de pó, cada um deles recoberto por resíduos plásticos de uma região do globo: Mar do Norte, Oceano Índico, Mar Mediterrâneo, Oceano Pacífico e Mar Báltico.
O revestimento de cada um é bem diferente, pois o tipo de plástico encontrado também varia muito. No Oceano Pacífico, por exemplo, os detritos plásticos foram recolhidos nas praias do Havai. Por lá, o plástico desfez-se e “esfarelou” devido à acção do sol e do sal marinho. Os detritos encontrados eram, principalmente, brancos e azuis porque as cores mais brilhantes geralmente atraem os animais, que os confundem com comida.
Já no do Oceano Índico, o plástico veio principalmente de redes que ficaram presas em corais em alto-mar. O material encontrado foi prensado, cortado em tiras finas brancas e coloridas e fixado na carapaça do aspirador de pó.
Os Vac From The Sea foram feitos com um modelo de aspirador de pó que é produzido com 70% de plástico reciclado. Ele não é totalmente feito com material reaproveitado porque a Eletrolux alega que falta plástico em terra para tal operação. A empresa irá leiloar um dos aspiradores sustentáveis e investir o dinheiro em pesquisas para diminuir a quantidade de plástico nos oceanos e aumentar a quantidade de material disponível para reciclagem.

Design emocional

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Donald Norman nasceu a dia 25 de Dezembro de 1935,  é professor de ciência cognitiva na Universidade da Califórnia em San Diego e Professor de Ciência da Computação na Universidade Northwestern. Também lecionana Universidade de Stanford e é um membro do corpo editorial da Enciclopédia Britannica.

Donad Norman sempre se interessou pela área do Design, e acreditava ser crucial estabelecer uma relação directa entre os artefactos e as emoções.No seu livro “Design emocional”, Donald Norman aborda tópicos que vão além da simples questão funcional dos produtos, partindo assim  para o campo da percepção do ser humano; dividindo o design em três tópicos distintos: design visceral, design comportamental e design reflexivo.

O design visceral, refere-se  a questões mais visuais e perceptivas, instintivas e pré-programadas,  associado-se ao nível biológico das reações, e de certa forma é o que a natureza faz. Como por exemplo a simetria dos seres, a textura e aparência das flores. O nível visceral é responsável por aquela sensação exercida por carros com linhas expressivas, curvas sensuais e superfícies lisas, ou ainda  “quero comprar, mas para que serve?”.

O design comportamental relaciona-se com o uso, a afectividade no desempenho. Questionando  se o produto tem uma função interessante, se vale a pena obter esse produto.

O design reflexivo diz respeito à intelectualização do produto. Aprofundando as noções de cultura,mensagem, e o significado da utilidade. Baseia-se  nas lembranças e experiência pessoais.. Quando se estabelece uma relação emotiva com o produto, não há razão prática ou propriamente lógica.

Norman acredita que se um produto satisfaça esses três factores, será uma peça com maior aceitação e  aprovação por parte dos utilizadores.

Decidi pesquisar sobre este livro, pois quando elaboro um projecto, faço questão de estabelecer uma ligação emocional com a peça, transmito parte de uma informação emocional minha. O produto possui então, uma identidade própria, em que através da emoção e do apelo sentimental,o utilizador, cria ele também um novo laço com o artefacto, podendo remeter a uma lembrança, a uma questão cultural ou a uma experiência. A meu ver, o melhor Design é o que provoca desejo e emoção, o que nos faz mover.

“Emoções, nós agora sabemos, mudam a maneira como a mente humana soluciona problemas – o sistema emocional muda a maneira como o sistema cognitivo opera. Assim, se a estética mudasse nosso estado emocional, isso explicaria o mistério(…) A ciência hoje sabe que os animais mais avançados em termos evolucionários são mais emotivos que os primitivos…”

Ele dá ainda o exemplo na sua vida, ele possui três bules de chá,  um foi inventado pelo artista francês Jacques Carelman, inicialmente pensado para café, em que ele descreve como sendo um “coffepot para masoquistas”, por o achar bastante inútil, asa está do mesmo lado que o bico. Outro  foi desenhado por Michael Graves , um menos conhecido  chamado Nanna, um bule tão feio que ele é atraente. E por último, outro desenhado pela empresa alemã Ronnefeldt .

O primeiro é por intenção, impossível de usar;  o segundo parece desajeitado, mas é bastante útil e funciona muito bem. O terceiro foi desenhado a pensar especialmente em todas as fases de preparação do chá,  coloca-se as folhas de chá na prateleira interior e o pote nas suas costas enquanto as folhas fazem a infusão e  então, como a fermentação se aproxima da resistência desejada, vira-se a ponta da caixa, até uma inclinação, que cubra parcialmente as folhas de chá. Quando o chá estiverr pronto, levanta-se a tampa  na posição vertical, de modo a que as folhas fiquem fora do líquido, impedindo o chá de se tornar amargo.

o bule de Jacques Carelman 

 

o bule Nanna de Michael Graves

O bule da  empresa alemã Ronnefeldt

Donald utiliza todos os seus bules, dependendo da situação. Porém podemos perguntar o porquê de tantos bules, à qual ele diz porque gosta deles. Além de terem a sua função de fazer chá, são obras de arte escultórica, dando-lhe satisfação visual. Ele gosta de os exibir no parapeito da sua cozinha, avaliando o contraste das formas, vendo os efeitos de luz sobre as superfícies variadas. Quando faz chá, Donald escolhe o bule conforme o seu estado de espírito, ele criou uma relação emocional com os artefactos que lhe transmitem prazer e bem-estar.

Com isto, concluo que o papel do design, vai para além de questões funcionais básicas e de desempenho, mas também desenvolve sentimentos e move as pessoas.O design é capaz de fazer as pessoas mais felizes e satisfeitas, são parte fundamental do nosso dia-a-dia, fazendo a vida valer mais a pena.

Análise sobre Artefactos Inovadores em Design do Produto

Numa aula foi-nos proposto que nos reuníssemos em grupos e analisássemos as nossas diferentes áreas.

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No meu grupo, debatemos como seria possível definirmos o que são artefactos inovadores em Design do produto. Através de uma discussão e uma breve análise, elaborámos um esquema com algumas definições do que seria possível. Dividimos em duas secções que acharíamos lógicas. Uma é a parte funcional/ tecnológica/ material, pois os produtos inovadores devem atender a novos requisitos neste aspectos; e outra secção seria a estética/ simbolismo, que corresponde aos componentes mais visuais e ao valor simbólico e emocional que a peça possui e transmite.

 Artefactos Inovadores

Funcional/ Tecnológico/ Material  

  • Consciência ecológica
  • Ruptura com o actual
  • Nova função
  • Novos materiais e novas utilizações
  • Novas questões
  • Melhoramento do desempenho
  • Actualização

Estética/ Simbolismo    

  • Ruptura com o aspecto e linhas actuais
  • Novos movimentos
  • Novas linguagens
  • Novos materiais e novas utilizações
  • Novas emoções e sentimentos
  • Actualização

Penso que é difícil definir o que é um produto inovador, por ter que se ter em conta diversos pontos em conta. Hoje em dia a ecologia e a sua consciência, é crucial no design;

A atual sociedade de consumo vem alterando de forma cada vez mais perigosa a biosfera. No capitalismo a função da natureza é exclusivamente  promover recursos, mas em contrapartida as consequências são extremamente negativas.

Do ponto de vista ambiental o mundo passa por uma série de modificações, devido a esse processo percebemos o fim do petróleo, escassez de água e aquecimento global, tudo isso fruto da sociedade industrial consumista. Através de um design amigo do ambiente, com materiais naturais, não prejudiciais ao meio ambiente, estamos a evoluir.

Aliado a isto, um produto inovador deve claramente obter uma ruptura com o actual, tendo a capacidade de se abstrair do que actualmente existe, criando algo com novas funções incorporadas,  novos materiais e utilizações, levando a responder a novas questões impostas pelos utilizadores; ou até mesmo o melhoramento do desempenho de algum produto com alguma deficiência de comportamento, fazendo com que haja uma actualização melhorada.

Também a nível estético, um produto inovador, terá de sofrer alterações, rupturas com o actual, criando novos movimentos e novas linguagens. Com novos materiais, o produto ganha uma nova imagem e linguagem, dando também novas utilizações.

A parte estética é maioritariamente, a que mais comunica com o utilizador, a que nos leva a criar ligações emocionais com a peça, criando um laço, uma história. Um produto inovador deve responder a isso, com novas emoções e actualizações através da aparência e estética.

Numa área como o Design do Produto, não espaço para pensar para trás, a inovação é o futuro, e como alunos, temos que estar sempre conscientes do que existe e tenta avançar e evoluir, criando produtos cada vez mais completos e inovadores.

Exemplos de produtos considerados inovadores

Um secador de toalhas que também as desinfecta com os raios UV

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Impressora movida com energia solar

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A cafeteira que faz o café de acordo com sua preferência pessoal

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Um sofá que levita através de um íman potente

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Quem seria o meu mestre?

Quando penso numa personalidade marcante na história do Design e Arte, identifico imediatamente Leonardo Da Vinci.

Seu pudesse eleger um mestre, com que eu aprendesse imenso, seria ele.

Leonardo Da Vinci foi uma das figuras mais importantes do Renascimento, era alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção.

Sendo um dos homens mais ecléticos de sempre, destacou-se como cientista, matemático, engenheiro, inventor, pintor, escultor, poeta, músico, anatomista e Designer.

Penso que todos os génios de várias gerações do Design, se inspiraram em Leonardo, na sua capacidade de invenção,e sobretudo, no talento de criar algo inexistente, nunca antes visto. Ser capaz de se abstrair do que já foi feito, e através da imaginação e criatividade, fazer Design inovador.

Leonardo Da Vinci inspira-me profundamente por várias razões, como o facto, de ter concebido ideias muito à frente do seu tempo, como o protótipo do helicóptero, um tanque de guerra, a calculadora, etc.

Leonaro era sem dúvida o derradeiro designer de Produto.

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Aqui está um auto-retrato de Leonardo Da Vinci

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Homem Vitruvio

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Desenho de uma máquina de guerra, a “besta”.

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Aqui está outra máquina, uma metralhadora.

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Aqui está um planador com asas, uma espécie inicial de asadelta.

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Este é um desenho de um inicial tanque de guerra.

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Desenho de uma primeira calculadora.