Design emocional

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Donald Norman nasceu a dia 25 de Dezembro de 1935,  é professor de ciência cognitiva na Universidade da Califórnia em San Diego e Professor de Ciência da Computação na Universidade Northwestern. Também lecionana Universidade de Stanford e é um membro do corpo editorial da Enciclopédia Britannica.

Donad Norman sempre se interessou pela área do Design, e acreditava ser crucial estabelecer uma relação directa entre os artefactos e as emoções.No seu livro “Design emocional”, Donald Norman aborda tópicos que vão além da simples questão funcional dos produtos, partindo assim  para o campo da percepção do ser humano; dividindo o design em três tópicos distintos: design visceral, design comportamental e design reflexivo.

O design visceral, refere-se  a questões mais visuais e perceptivas, instintivas e pré-programadas,  associado-se ao nível biológico das reações, e de certa forma é o que a natureza faz. Como por exemplo a simetria dos seres, a textura e aparência das flores. O nível visceral é responsável por aquela sensação exercida por carros com linhas expressivas, curvas sensuais e superfícies lisas, ou ainda  “quero comprar, mas para que serve?”.

O design comportamental relaciona-se com o uso, a afectividade no desempenho. Questionando  se o produto tem uma função interessante, se vale a pena obter esse produto.

O design reflexivo diz respeito à intelectualização do produto. Aprofundando as noções de cultura,mensagem, e o significado da utilidade. Baseia-se  nas lembranças e experiência pessoais.. Quando se estabelece uma relação emotiva com o produto, não há razão prática ou propriamente lógica.

Norman acredita que se um produto satisfaça esses três factores, será uma peça com maior aceitação e  aprovação por parte dos utilizadores.

Decidi pesquisar sobre este livro, pois quando elaboro um projecto, faço questão de estabelecer uma ligação emocional com a peça, transmito parte de uma informação emocional minha. O produto possui então, uma identidade própria, em que através da emoção e do apelo sentimental,o utilizador, cria ele também um novo laço com o artefacto, podendo remeter a uma lembrança, a uma questão cultural ou a uma experiência. A meu ver, o melhor Design é o que provoca desejo e emoção, o que nos faz mover.

“Emoções, nós agora sabemos, mudam a maneira como a mente humana soluciona problemas – o sistema emocional muda a maneira como o sistema cognitivo opera. Assim, se a estética mudasse nosso estado emocional, isso explicaria o mistério(…) A ciência hoje sabe que os animais mais avançados em termos evolucionários são mais emotivos que os primitivos…”

Ele dá ainda o exemplo na sua vida, ele possui três bules de chá,  um foi inventado pelo artista francês Jacques Carelman, inicialmente pensado para café, em que ele descreve como sendo um “coffepot para masoquistas”, por o achar bastante inútil, asa está do mesmo lado que o bico. Outro  foi desenhado por Michael Graves , um menos conhecido  chamado Nanna, um bule tão feio que ele é atraente. E por último, outro desenhado pela empresa alemã Ronnefeldt .

O primeiro é por intenção, impossível de usar;  o segundo parece desajeitado, mas é bastante útil e funciona muito bem. O terceiro foi desenhado a pensar especialmente em todas as fases de preparação do chá,  coloca-se as folhas de chá na prateleira interior e o pote nas suas costas enquanto as folhas fazem a infusão e  então, como a fermentação se aproxima da resistência desejada, vira-se a ponta da caixa, até uma inclinação, que cubra parcialmente as folhas de chá. Quando o chá estiverr pronto, levanta-se a tampa  na posição vertical, de modo a que as folhas fiquem fora do líquido, impedindo o chá de se tornar amargo.

o bule de Jacques Carelman 

 

o bule Nanna de Michael Graves

O bule da  empresa alemã Ronnefeldt

Donald utiliza todos os seus bules, dependendo da situação. Porém podemos perguntar o porquê de tantos bules, à qual ele diz porque gosta deles. Além de terem a sua função de fazer chá, são obras de arte escultórica, dando-lhe satisfação visual. Ele gosta de os exibir no parapeito da sua cozinha, avaliando o contraste das formas, vendo os efeitos de luz sobre as superfícies variadas. Quando faz chá, Donald escolhe o bule conforme o seu estado de espírito, ele criou uma relação emocional com os artefactos que lhe transmitem prazer e bem-estar.

Com isto, concluo que o papel do design, vai para além de questões funcionais básicas e de desempenho, mas também desenvolve sentimentos e move as pessoas.O design é capaz de fazer as pessoas mais felizes e satisfeitas, são parte fundamental do nosso dia-a-dia, fazendo a vida valer mais a pena.

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