Utopias em Design

Utopia é algo que se imagina como sendo perfeito, ideal, porém imaginário, não se sabendo ao certo se é possível alcançar ou realizar, é almejado mas apenas utópico.

Utopia em design descreve o desejo social de procurar isso mesmo, é uma perspectiva pessoal ou colectiva que se diferencia do actual, lançando uma proposta para o futuro. Baseia-se num projecto imaginário, uma idealização de uma realidade modelo de novas formas de convivência e de vida.

Para esta aula, lemos a entrevista realizada pela professora Katja  Tschimmel a Bernhard E. Bürdek. Ao longo da entrevista, conseguimos perceber algum desânimo por parte de Bernhard Burdek, já que ele acredita que o Design tem vindo a piorar  por se ter banalizado.  

“Ou seja, naturalmente que o design existe como disciplina séria, mas infelizmente existe em muito maior quantidade aquilo que podemos designar como a tendência lifestyle, o que acaba por ser contraproducente para a disciplina design.”

Concordo com Bernhard, já que o design parece ser levado menos a sério, cada vez mais, os objectos acabam por se tornar trivialidades derivadas desta tendência “lifestyle”, já que o que vende é o que choca as pessoas, as modas que motivam as pessoas a quererem adquirir os artefactos, criando assim uma corrente de design fogaz e efémero. Cada vez é mais difícil acreditar em utopias dentro do design. Essa ideologia viveu-se verdadeiramente no passado, apesar de eu acreditar que ainda seja possível pensar no Design, como uma resposta a problemas actuais.

 Estes conceitos de utopias, foram expressos ao longo da história através de vários movimentos artísticos.

Arts and Crafts foi um movimento estético e social inglês, da segunda metade do século XIX, que defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa. Reunindo teóricos e artistas, o movimento procurava revalorizar o trabalho manual e recuperar a dimensão estética dos objetos produzidos industrialmente para uso quotidiano.

As teorias do crítico de arte John Ruskin e do  Augustus Pugin são fundamentais para a consolidação da base teórica do movimento. Na vasta produção escrita de Ruskin, observa-se uma tentativa de combinar esteticismo e reforma social, relacionando arte à vida diária do povo.

As idéias de Pugin sobre as glórias do passado medieval diante da mediocridade das criações modernas influenciam Ruskin, que, como ele, enfatiza a preferência pelos padrões artesanais e a organização do trabalho das estruturas medievais. Mas é William Morris que põe esse plano em prática, que defende uma arte “feita pelo povo e para o povo”, em que era pretendido que o operário se torna-se um artista e pudesse conferir valor estético ao trabalho desqualificado da indústria. A teoria de Morris defendia o ideal medieval, onde o artesão desenha e executa a obra, num ambiente de produção coletiva. Ele ansiava essa utopia, em que poderia produzir artefactos de qualidade para toda a sociedade, não só para a classe alta. Embora fosse esse o seu objectivo de design utópico, foi impossível concretizar, já que o trabalho artesanal se tornou bastante dispendioso e só as pessoas mais ricas conseguiam adquirir.

O espírito racionalista revolucionário do Construtivismo onde a arte estava ao serviço da construção da sociedade e a arquitetura a imagem símbolo do socialismo que se constrói. Nesta ramo do Racionalismo a teoria da forma é a teoria da comunicação social.

Cadeira de William Morris, 1866

Outra corrente em que os valores utópicos se evidenciam é o Construtivismo Russo. O Construtivismo Russo foi um movimento estético-político iniciado na Rússia a partir de 1919, como parte do contexto dos movimentos de vanguarda no país, de forte influência na arquitetura e na arte ocidental. Ele negava uma “arte pura” e procurava abolir a ideia de que a arte é um elemento especial da criação humana, separada do mundo quotidiano. A arte, inspirada pelas novas conquistas do novo Estado Operário, deveria se inspirar nas novas perspectivas abertas pela máquina e pela industrialização servindo a objetivos sociais e a construção de um mundo socialista.

Desejavam que a arte se tornasse um instrumento de transformação social, que participasse da reconstrução do modo de vida e da “revolucionarização” da consciência do povo, deseja satisfazer as necessidades materiais e organizar e sistematizar os sentimentos do proletariado revolucionário.

Alexander Rodchenko

Um dos movimentos mais marcantes nos valores utópicos, foi sem dúvida, a marca imponente que a escola Bauhaus transmitiu. Foi fundada em 1919 por Walter Gropius em Weimar, na Alemanha. Esta escola unificou disciplinas como arquitetura, escultura, pintura e desenho industrial. Ela revolucionou o design moderno ao procurar formas e linhas simplificadas, definidas pela função do objeto, através de um visual “clean”, uma forte influência nos projetos de hoje em dia, como os da empresa Apple. O principal objectivo desta escola era de certa forma, democratizar o design. Fornecer produtos de qualidade, funcionais para todos; procuravam modos de viver alternativos, mais humanistas, mais democráticos.

“Chaleira”
A “chaleira” ,um símbolo da Escola Bahaus de Marianne Brandt, uma das poucas mulheres que conseguiram produzir na Bauhaus. 
O seu talento, em design de metais, criando cinzeiros, luminárias, jogos de chá e café lhe deu notoriedade e reconhecimento de todos os mestres da Bauhaus.

Noutros campos há também marcas do design utópico, como no Design Radical, um movimento italiano na década de 60, o anti-design, que se opôs ao good design.

O grupo Archi Zoom, constituído pela designer Andrea Branzi, Gilberto Corretti, Paolo Deganello, Massimo Morozzi, em Florença. Tendo muita influência nos trabalhos do grupo Archigram, os seus projectos revelavam a procura de uma nova abordagem altamente flexível e baseada na tecnologia de design urbano, que pretendiam mandar a mensagem de um mundo novo.

O projecto “Non stop city”, é  conceptual , mas muito bem elaborado e pensado, através de plantas, imagens e desenhos. As fotografias retratam um espaço infinito e bastante inexpressivo em que os humanos vivem como campistas.Os espaços são preenchidos com pedras e galhos, pequenos pedaços de natureza trazidos para dentro do mundo artificial.Tendas, eletrodomésticos e motocicletas mostram que as necessidades básicas sejam atendidas, enquanto outros desenhos mostram grades infinitas de quartos, talvez contendo a “Dream Bed” ou a “Safari chair”, objectos também realizados pelo Archizoom.

“A ideia de um inexpressivo, arquitetura catatónico, resultado das formas amplas sobre a lógica do sistema e seus antagonistas de classe, era a única forma de arquitetura moderna de interesse para nós … Uma sociedade livre de sua própria alienação, emancipando as formas retóricas do socialismo humanitário e progressismo retórico: uma arquitectura que teve um olhar destemido na lógica de cinza, ateísta e do dramatizado industrialismo, onde a produção em massa produz decorações urbanas infinitas. ”

Andrea Branzi

A teoria fulcral do Archizoom, é que tentaran mudar o mundo usando o poder do que eles criticaram.

O movimento do descontrutivismo foi uma linha de produção arquitetónica pós-moderna que começou no fim dos anos 80. Ela é caracterizada pela fragmentação, pelo processo de desenho não linear, por um interesse pela manipulação das ideias da superfície das estruturas ou da aparência, pelas formas não-rectilíneas que servem para distorcer e deslocar alguns dos princípios elementares da arquitectura, como a estrutura irregular.

Triadisches Ballett (Triádica Ballet) é um balé desenvolvido por Oskar Schlemmer. Ele estreou em Stuttgart, em 30 de setembro de 1922, com música composta por Paul Hindemith, após as apresentações de formação remonta a 1916, com os artistas Elsa Hotzel e Burger Albert.Inspirado em parte por Pierrot Lunaire de Schoenberg e suas observações e experiências durante a Primeira Guerra Mundial, Oskar Schlemmer começou a conceber o corpo humano como um novo meio artístico. Ele viu balé e pantomima como livre da bagagem histórica do teatro e da ópera e, portanto, capaz de apresentar as suas ideias de geometria coreografada, o homem como dançarina, transformados pelo traje, que se deslocam no espaço. A ideia do ballet foi baseado no princípio da trindade.

Aqui temos o “Pavilhão 21 MINI Opera Space” , um espaço de desempenho móvel temporário para 300 visitantes a serem localizados na Masterstallplatz na cidade de Munique. Construído de Alumínio sob a forma de pirâmides múltiplas, que cobre uma área de 560 metros quadrados e tem uma altitude de 12,5 metros. Concebido para ser facilmente desmontado e montado em outros lugares para diferentes utilizações conforme o necessário.

Possui um avançado sistema de isolamento acústico para que o som vindo do exterior não atrapalhe o interior e vice e versa. Porém esse isolamento acústico forma um grande desafio juntamente com a mobilidade pois uma construção leve e móvel geralmente não tem boa isolação acústica pois exige grande massa física.

Segundo o arquiteto Wolf Prix esse espaço foi criado através da inspiração pelas músicas de Jimmy Hendrix e outra de Mozart.

Este espaço está claramente a desafiar o design existente, ao contrariar a arquitectura clássica típica da região, com estas formas angulosas e irregulares, tem uma visão utópica nesse sentido, de ruptura de tendências.

As utopias são também encaradas através de teorias ecológicas, materiais inteligentes e novos produtos terapêuticos, revela-se uma procura da eterna juventude e bem-estar.

A cidade ecológica de Masdar

Penso que as questões utópicas, mudaram o pensamento da sociedade, principalmente através das vanguardas, caracterizado por ideias radicais contra normas estéticas, sociais ou políticas. Tinham uma orientação em ideias de progresso estético, social e tecnológico. As vanguardas em design ofereciam novas direcções estéticas/ sociais que permaneceram e evoluíram.

As vanguardas mais recentes, reflectem-se no trabalho de Ron Arad, nas suas peças icónicas que utilizam materiais que tradicionalmente não fazem parte dos interiores.

File:Ron Arad - The Big Easy chair in chrome steel.jpg

The Big Easy Chair, cromada

Outro exemplo actual seria a empresa holandesa Droog Design, que cria objectos revolucionários, por terem uma estética desconcertante, irregular, e sobretudo revelarem diversão e paixão na sua composição.

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Chest of Drawers de Tejo Remy

Atado Chair (1996) de Marcel Wanders para Droog

No final da aula foi-nos proposto investigar exercícios de vanguardia no design de hoje.

Encontrei um projecto aplicado na cidade Nova York, idealizado pela comissária do departamento de transporte. Achei um caso inovador, nos aspectos ecológico e inclusivo inseridos no Design, ela repensou Nova York, e idealizou um design melhor e mais eficaz.

Ela fez várias remodelações na cidade, nomeadamente reduzir o número de carros. Ela construiu centenas de quilómetros de ciclovias, introduziu um programa de bicicletas de enorme sucesso, criou praças de pedestres, e transformou Times Square.
O seu grande objectivo era tornar mais fácil e mais seguro, mover-se em Nova York, e para tornar a cidade um lugar melhor e menos poluído para os residentes. Ela construiu também sinais de trânsito e de aviso audíveis, para os cegos.nyc ponto comissário Janette Sadik-Khan

Outro projecto que encontrei que enfatiza a utopia de um mundo melhor e mais ecológico, seria o caso de cinco aspiradores de pó, que  foram revestidos com plástico coletado nos oceanos da Terra já que  a maioria dos resíduos plásticos descartados no mundo vai parar no mar, onde ele é difícil de ser recolhido e reciclado.

Tentando resolver esta questão, várias organizações ambientais que focadas na vida marinha, uniram-se à Eletrolux para reunir os diferentes materiais encontrados nas praias e em alto-mar, em diferentes pontos do planeta e criaram o projeto Vac From the Sea.
O resultado foram 5 aspiradores de pó, cada um deles recoberto por resíduos plásticos de uma região do globo: Mar do Norte, Oceano Índico, Mar Mediterrâneo, Oceano Pacífico e Mar Báltico.
O revestimento de cada um é bem diferente, pois o tipo de plástico encontrado também varia muito. No Oceano Pacífico, por exemplo, os detritos plásticos foram recolhidos nas praias do Havai. Por lá, o plástico desfez-se e “esfarelou” devido à acção do sol e do sal marinho. Os detritos encontrados eram, principalmente, brancos e azuis porque as cores mais brilhantes geralmente atraem os animais, que os confundem com comida.
Já no do Oceano Índico, o plástico veio principalmente de redes que ficaram presas em corais em alto-mar. O material encontrado foi prensado, cortado em tiras finas brancas e coloridas e fixado na carapaça do aspirador de pó.
Os Vac From The Sea foram feitos com um modelo de aspirador de pó que é produzido com 70% de plástico reciclado. Ele não é totalmente feito com material reaproveitado porque a Eletrolux alega que falta plástico em terra para tal operação. A empresa irá leiloar um dos aspiradores sustentáveis e investir o dinheiro em pesquisas para diminuir a quantidade de plástico nos oceanos e aumentar a quantidade de material disponível para reciclagem.
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