Bom design

Em 1970, Dieter Rams introduziu a ideia de desenvolvimento sustentável e a obsolescência como um crime do design. Com isto, questionou-se se o seu trabalho seria “bom design” ao que desenvolveu dez princípios que a seu ver, deveriam ser respeitados, para se produzir uma peça com bom design.  Rams, estudou Arquitetura na Escola de Wiesbaden, além de realizar cursos de carpintaria, sendo influenciado especialmente por seu avô. Após ter trabalhado para o arquiteto Otto Apel, entre 1953 e 1955, Rams passou a integrar o setor de produtos eletrônicos da Braun, empresa da qual se tornou diretor de design em 1961, posição que manteve até 1995, quando foi sucedido por Peter Schneider. Durante todo o tempo em que trabalhou com a Braun, Dieter Rams desenhou mais de 500 produtos, elegantes e extremamente versáteis. As unidades foram projetadas em tamanhos modulares, o que possibilitava o empilhamento vertical ou horizontal. Botões, chaves e mostradores foram reduzidas ao mínimo e dispostos em uma forma ordenada.

SK4 record player, de 1956.  Projetado por Dieter Rams e Hans Gugelot, para a  Braun.

SK4 record player, de 1956. Projetado por Dieter Rams e Hans Gugelot, para a Braun.

1. Bom design é inovador
O desenvolvimento tecnológico irá sempre oferecer novas oportunidades para um design inovador, e o design inovador desenvolve-se em conjunto com a tecnologia inovadora, portanto, nunca irá colocar um fim em si mesmo.

2. Bom design faz um produto ser útil
Um produto é comprado para ser usado. Ele tem de satisfazer certos critérios, não só funcionais, mas também psicológicos e estéticos. Bom design enfatiza a utilidade de um produto, ao mesmo tempo que ignora tudo aquilo que vai contra ela.

3. Bom design é estético
Somente objetos bem executados podem ser bonitos. Qualidade estética é fundamental, pois o usuário será afetado diretamente pelo produto que possui.

4. Bom design ajuda-nos a entender um produto
O bom design esclarece a estrutura do produto. Ou melhor ainda, ele pode fazer o produto falar: design deve ser auto-explicativo.

5. Bom design é discreto
Um produto não deve ser nem um objeto decorativo e nem uma obra de arte: o seu design deve ser neutro e contido, deixando espaço para a auto-expressão do usuário.

6. Bom design é honesto
Nunca engane o usuário, o design não deve manipular o consumidor com promessas que não possam ser mantidas.

7. Bom design é durável
O bom design faz o produto durar, transcender o tempo. Ele evita “estar na moda” e, portanto, nunca será antiquado.

8. Bom design preocupa-se com os mínimos detalhes
Cuidado e precisão no processo de design demonstra respeito para com o usuário. Nada deve ser deixado ao acaso.

9. Bom design preocupa-se com o meio ambiente
O design deve conservar os recursos ambientais e minimizar a poluição física e visual, durante todo o ciclo de vida do produto.

10. Bom design é menos design
“Weniger, aber besser”
Menos, mas melhor. Porque concentrando-se nos aspectos essenciais, os produtos não estão sobrecarregados com os não-essenciais.

O trabalho de Rams, tinha como principal objectivo  criar produtos úteis e de fácil operação. No entanto, ele conseguiu muito mais do que isso, devido ao virtuosismo formal e técnico dos seus produtos, e uma simplicidade requintada suportada por rigorosos testes de qualidade e experiências com novos materiais, além de uma atenção obsessiva aos detalhes para garantir que cada peça ficasse perfeitamente coerente no produto.

Foi-nos proposto que elaborássemos os nossos próprios princípios de bom design. A meu ver uma peça de bom design, deve enriquecer a actualidade e adicionar sempre algo de interessante e de grande utilidade.

1. Bom design deve despoletar emoção

Penso que o bom design deve comunicar com o utilizador, criando uma ligação emocional entre ele e o produto. Quando nos envolvemos emocionalmente com um produto, este adquire uma maior importância nas nossas vidas diárias, tornando a sua utilização, consequentemente mais útil e crucial.

2. Bom design deve ser útil e confortável

A meu ver, um bom produto deve sempre considerar os aspectos ergonómicos e ser o mais prático possível. O bom design é o que possui um carácter mais intuitivo e de fácil usabilidade, deve possuir uma fácil leitura e compreensão. Além disso, deve ser um produto que seja confortável, que não proporcione uma utilização exaustiva e difícil.

3. O bom design dever resolver um problema e ser inovador

Um bom produto deve conseguir solucionar um problema existente, com métodos eficientes. Deve também ser inovador, em termos de materiais, utilização, tecnologia; devem trazer novidade e algo que ainda não foi feito.

4. O bom design deve ser simples

Concordo com Dieter Rams no facto, de que o design deve ser, realmente simples. O bom design destaca-se pela exploração das formas simples , com o mínimo de informação adicional. Só deve possuir o necessário, sem recorrer a adornação extrema. As peças bem conseguidas e interessantes, são as mais sóbrias de informação.

5. O bom design deve ser coerente 

Uma peça de bom design, deve ser lógica e considerar os métodos mais eficazes de produção, evitando os mais dispendiosos. O bom design deve ser pensado de uma forma lógica e sensata, tentando dentro do possível, produzir peças de boa qualidade, com os materiais e processos mais adequados ao propósito, e menos dispendiosos, tentando também, que o máximo de pessoas o possam adquirir.

Caso exemplo : Cadeira Paimio de Alvar Aalto, produzida pela Artek, 1930-1931

Considerando os meus princípios de bom design, penso que a cadeira Paimio de Alvar Aalto se enquadra nesses requisitos.

Alvar Aalto foi um dos primeiros e mais influentes arquitetos do movimento moderno escandinavo, tendo sido membro do Congrès Internationaux d’Architecture Moderne (CIAM). Alguns dos trabalhos de maior relevância foram, por exemplo, o Auditório Finlândia, e o campus da Universidade de Tecnologia de Helsinki, ambos em Helsinki, Finlândia. No campo do design, tornaram-se célebres os projetos de cadeiras baseados na exploração das possibilidades de corte e tratamento industrial da madeira.

Virando-se definitivamente para o laminado de madeira e contraplacado como materiais de eleição, Aalto começou a investigar a colagem de placas de madeira e os limites da moldagem do contraplacado com Otto Korkhonen, director técnico de uma fábrica de mobiliário perto de Turku. Estas experiências culminaram nas cadeiras tecnicamente mais inovadoras de Aalto. Nomeadamente a No. 41, que foi desenhada para fazer parte do esquema do Sanatório Paimio, esta cadeira faz parte de uma mudança de materiais na direcção do contraplacado. Aalto acreditava que a sua maior contribuição para o design de mobiliário era a solução do velho problema da ligação dos elementos verticais e horizontais. A solução da madeira dobrada, permitiu que as pernas se ligassem directamente ao assento sem necessidade de qualquer outro tipo de estrutura ou suporte adicional. Esta peça de Aalto, reflecte os seus ideias de que as peças de design deveriam ser humanizadas e emocionantes.

Através dos princípios que desenvolvi sobre bom design, considero a cadeira de Aalto, uma peça de bom design. É um produto  emocional que deixa o utilizador satisfeito com a sua utilização a um nível mais profundo, através das suas formas curvas e orgânicas que nos cativam as sensações. É uma peça útil e acessível, foi destinada a um sanatório e foi bem pensada a nível de utilização, limpeza e deslocação. Esta cadeira é inovadora, nomeadamente pela técnica de conformação da madeira dobrada, que nunca teria sido feito até então. Possui um design simples, e sem acréscimo de detalhes desnecessários, a sua forma é pura e orgânica. E por fim, é uma peça coerente, pois toda a sua produção e idealização foi bem pensada; a nível de materiais de boa qualidade, naturais como a madeira, e utiliza processos apenas necessários e menos dispendiosos possível.

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